Existe cirurgia para parar o tremor do Parkinson e do Tremor Essencial — e ela funciona. Se você já tentou segurar um copo d’água e o tremor não deixou, ou evitou sair em público com medo de derrubar o talher, saiba que existe uma solução médica comprovada, segura e ajustável.
Essa solução é a Estimulação Cerebral Profunda, conhecida como DBS (do inglês Deep Brain Stimulation). Neste artigo, vou explicar de forma simples o que é esse procedimento, para quem ele é indicado e por que ele pode mudar completamente a qualidade de vida de quem sofre com o tremor.
O que é o DBS — a cirurgia para parar o tremor?
O DBS é uma cirurgia neurológica que funciona de forma parecida com um marcapasso cardíaco — só que para o cérebro. Em outras palavras, o médico instala um sistema que envia impulsos elétricos precisos para regiões específicas do cérebro.
Durante o procedimento, o neurocirurgião implanta eletrodos em regiões específicas do cérebro responsáveis pelo controle do movimento. Em seguida, conecta esses eletrodos a um pequeno gerador colocado discretamente sob a pele, geralmente na região do tórax. Nada fica visível por fora.
Quando o sistema entra em funcionamento, ele envia impulsos elétricos precisos que modulam a atividade cerebral alterada. Por isso, o resultado é uma redução significativa ou até eliminação do tremor.
Além disso, o DBS é um tratamento estabelecido, aprovado e reconhecido mundialmente para distúrbios do movimento. Conforme revisão publicada nos Arquivos de Neuropsiquiatria (Aquino et al., 2024), nas últimas três décadas os pesquisadores documentaram bem a eficácia a longo prazo do DBS para melhora dos sintomas motores do Parkinson e das complicações do uso prolongado da levodopa.
Para quem é indicada a cirurgia para parar o tremor?
O DBS atende principalmente duas condições. Veja quais são elas:
1. Doença de Parkinson
Quando os remédios já não controlam mais os sintomas adequadamente — ou quando causam efeitos colaterais difíceis de tolerar, como movimentos involuntários (discinesias) — a cirurgia para parar o tremor surge como uma opção poderosa.
O candidato ideal é aquele que ainda responde à levodopa, mas que não consegue manter esse controle de forma estável ao longo do dia. Portanto, o objetivo da cirurgia é justamente estabilizar e ampliar esse benefício.
2. Tremor Essencial
O Tremor Essencial é uma das doenças neurológicas mais comuns — e também uma das mais subdiagnosticadas. Muitos pacientes passam anos sem diagnóstico preciso ou confundem sua condição com Parkinson. O inverso também ocorre: pacientes com Parkinson inicial recebem erroneamente o diagnóstico de Tremor Essencial. Por isso, o diagnóstico correto, feito por um neurocirurgião ou neurologista especializado em distúrbios do movimento, é fundamental antes de qualquer decisão terapêutica.
No Tremor Essencial, o tremor aparece durante o movimento: ao levantar o braço, ao escrever, ao segurar um objeto. Quando os medicamentos não bastam para controlar os sintomas e o tremor começa a limitar a vida da pessoa, a cirurgia para parar o tremor com DBS surge como uma alternativa comprovada e eficaz. Saiba mais sobre a estimulação cerebral profunda no Parkinson. Segundo estudo publicado pela MDPI Biomedicines (2025), em pacientes adequadamente selecionados, a estimulação do núcleo VIM do tálamo melhora o tremor da mão em até 89%.
Nem todo paciente é candidato — e isso é importante saber
O DBS é uma cirurgia de alta complexidade e nem todos os pacientes com tremor reúnem as condições para o procedimento. A indicação depende de uma avaliação clínica detalhada, que considera o tipo e a gravidade da doença, o histórico de tratamentos anteriores, o estado geral de saúde e a presença de outras condições clínicas.
Portanto, essa avaliação é indispensável. Ela protege o paciente, garante o melhor resultado possível e evita frustrações. Não existe atalho seguro para essa etapa.
Por que essa cirurgia é diferente de outras?
Uma das grandes vantagens da cirurgia para parar o tremor com DBS é que ela não destrói nenhuma parte do cérebro. Ao contrário das cirurgias ablativas, que criam uma lesão permanente, o DBS preserva o tecido cerebral intacto.
Além disso, o procedimento oferece três características únicas:
- Ajustável — o médico pode modificar os parâmetros de estimulação conforme a evolução do paciente
- Reversível — o sistema pode ser desligado ou removido, se necessário
- Progressivo — a programação melhora ao longo do tempo para otimizar o resultado
Em outras palavras, o tratamento acompanha o paciente, e não o contrário.
Como é a cirurgia?
O neurocirurgião realiza a cirurgia com o paciente levemente sedado e, em parte do procedimento, acordado. Isso é fundamental: com o paciente consciente, a equipe testa a estimulação em tempo real e confirma que o eletrodo está na posição exata para o melhor resultado.
Após a cirurgia, o neurocirurgião ativa e programa o sistema. Nas primeiras semanas e meses, ele faz ajustes para encontrar a configuração ideal para cada paciente. Os resultados aparecem de forma gradual. No entanto, muitos pacientes já relatam melhoras nas primeiras semanas após a ativação.
Quais são os riscos?
Como qualquer procedimento cirúrgico, o DBS apresenta riscos — e é importante que o paciente os conheça antes de tomar qualquer decisão.
Os principais incluem possibilidade de infecção, sangramento cerebral e efeitos temporários da estimulação, como fala levemente alterada ou formigamento. Em geral, esses efeitos desaparecem com o ajuste dos parâmetros do aparelho. Além disso, os riscos variam conforme o perfil de cada paciente e o médico deve discuti-los individualmente em consulta.
O mais importante: quando o neurocirurgião indica e realiza bem o procedimento, o DBS é seguro e seus benefícios superam amplamente os riscos para a grande maioria dos pacientes.
O plano de saúde cobre a cirurgia?
Sim. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) incluiu a Estimulação Cerebral Profunda no seu Rol de Procedimentos. Por isso, os planos de saúde devem cobrir o procedimento para pacientes que atendem aos critérios clínicos. Além disso, o SUS também realiza a cirurgia em centros especializados. Em caso de negativa do plano, o paciente pode recorrer judicialmente — e as decisões costumam favorecer quem tem indicação médica formal.
Posso saber se sou candidato sem sair de casa?
Sim. A Dra. Ingra Souza, neurocirurgiã especialista em DBS, realiza consultas online justamente para isso: avaliar o histórico clínico do paciente e verificar se ele reúne as condições para a cirurgia para parar o tremor — tudo de forma remota, sem deslocamento para uma primeira avaliação.
Caso a cirurgia seja indicada, a Dra. Ingra atende presencialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além disso, para pacientes de outros estados, ela também pode se deslocar até a cidade do paciente para realizar o procedimento.
Não deixe o tremor roubar mais um dia da sua vida
O DBS não é uma promessa. Trata-se de uma tecnologia com décadas de evidência científica, aprovada em todo o mundo, que já transformou a vida de centenas de milhares de pacientes.
Portanto, se você ou um familiar convive com tremores que os remédios já não controlam, talvez seja hora de dar o próximo passo. A primeira avaliação pode acontecer ainda hoje, de onde você estiver.
👉 Agende sua avaliação pelo WhatsApp e descubra se você é candidato à cirurgia.
Referências Científicas:
– Aquino CH et al. Fundamentals of deep brain stimulation for Parkinson’s disease in clinical practice. Arq Neuropsiquiatr. 2024;82(4):1-9. DOI: 10.1055/s-0044-1786026
– Rajamani N et al. Deep brain stimulation of symptom-specific networks in Parkinson’s disease. Nat Commun. 2024;15(1):7120. DOI: 10.1038/s41467-024-51394-7
– MDPI Biomedicines. Deep Brain Stimulation for Parkinson’s Disease — A Narrative Review. 2025. DOI: 10.3390/biomedicines13102430
– National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS). Deep brain stimulation for the treatment of Parkinson’s disease and other movement disorders. 2024.