DBS: quais são os efeitos colaterais e como lidar com eles?

Se você tem Parkinson ou Tremor Essencial e está considerando a cirurgia, entender os efeitos colaterais da estimulação cerebral profunda é o primeiro passo para tomar uma decisão segura e informada junto ao seu médico.

A resposta honesta é: sim, existem efeitos colaterais. No entanto, na grande maioria dos casos, eles são manejáveis — e conhecê-los com antecedência faz toda a diferença.

O que é a estimulação cerebral profunda?

A DBS (Deep Brain Stimulation) é uma cirurgia em que pequenos eletrodos são implantados em regiões específicas do cérebro. Em seguida, esses eletrodos são conectados a um dispositivo semelhante a um marca-passo colocado no peito, que envia pulsos elétricos contínuos para regular os sinais cerebrais responsáveis pelos tremores, pela rigidez e pela lentidão dos movimentos.

Aprovada nos Estados Unidos pela FDA desde 1997 — sendo o Tremor Essencial a primeira indicação —, a DBS já beneficiou centenas de milhares de pacientes no mundo. Além disso, para Parkinson e Tremor Essencial, estudos mostram melhora clínica entre 60% e 80% nos sintomas motores. Para saber mais sobre como funciona a cirurgia, leia nosso artigo completo sobre a DBS.

Efeitos colaterais da estimulação cerebral profunda: o que esperar

Os efeitos colaterais da estimulação cerebral profunda se dividem em dois grupos principais: os relacionados à cirurgia em si e os relacionados à estimulação elétrica. Por isso, é importante entender cada um deles separadamente.

Efeitos relacionados à cirurgia

Como em qualquer procedimento cirúrgico no cérebro, existem riscos, embora raros. Por exemplo, os mais citados na literatura médica são infecção no local do implante, sangramento cerebral, acidente vascular cerebral (AVC) e posicionamento incorreto dos eletrodos. Além disso, as complicações cirúrgicas graves — como sangramento e AVC — ocorrem em menos de 3% dos casos, tornando a DBS uma das cirurgias cerebrais com melhor perfil de segurança disponível.

Efeitos relacionados à estimulação elétrica

Estes são os efeitos colaterais mais comuns no dia a dia após a cirurgia. A boa notícia é que a maioria deles pode ser corrigida simplesmente ajustando as configurações do aparelho pelo médico, sem necessidade de nova cirurgia. Os mais frequentes são:

  • Formigamento ou dormência nos membros
  • Dificuldade na fala (disartria): a estimulação pode afetar regiões cerebrais próximas às que controlam a fala. Por exemplo, uma revisão publicada na revista PLOS ONE em 2024, que analisou 90 estudos com pacientes com Parkinson e Tremor Essencial, identificou que alguns pacientes apresentam declínio na fluência verbal a longo prazo — porém os resultados variam bastante de pessoa para pessoa e não são universais.
  • Desequilíbrio e perda de coordenação: reportados especialmente nas primeiras semanas após o início da estimulação. No entanto, geralmente são corrigíveis com ajuste do aparelho.
  • Contrações musculares no rosto ou no peito
  • Tontura
  • Problemas de visão temporários, como enxergar duplo
  • Mudanças de humor: irritabilidade ou alterações emocionais podem ocorrer, especialmente no período de ajuste do aparelho

Além disso, um estudo publicado no periódico Frontiers in Human Neuroscience em fevereiro de 2024, da Universidade da Flórida, confirma que a grande maioria dos efeitos adversos da estimulação cerebral profunda pode ser tratada por meio da reprogramação do dispositivo, sem nova cirurgia. Portanto, o acompanhamento médico regular é fundamental. Você pode acessar o estudo completo em: Frontiers in Human Neuroscience (2024).

Um detalhe importante: o aparelho não é ligado na hora

Muitos pacientes ficam surpresos ao descobrir que o aparelho não é ativado imediatamente após a cirurgia. Ao contrário do que se imagina, é necessário aguardar algumas semanas — e em alguns casos meses — para que o corpo se recupere do procedimento antes de iniciar a estimulação. Após a ativação, o médico passa por um período de calibração, ajustando as configurações gradualmente para encontrar a combinação ideal para cada paciente. Portanto, esse acompanhamento é fundamental para minimizar os efeitos colaterais da estimulação cerebral profunda e maximizar os benefícios.

E os efeitos cognitivos da estimulação cerebral profunda?

Essa é uma preocupação legítima. No entanto, uma revisão sistemática publicada no Frontiers in Human Neuroscience em fevereiro de 2024, da Universidade de Chicago, analisou 20 estudos sobre os efeitos cognitivos da DBS em pacientes com Tremor Essencial. A conclusão foi que a maioria dos pacientes não apresenta declínio cognitivo clinicamente significativo. Porém, aqueles que já tinham alguma dificuldade cognitiva antes da cirurgia podem ter maior vulnerabilidade. Por isso, uma avaliação neuropsicológica completa antes de decidir pela cirurgia é essencial.

Por que esses efeitos colaterais da estimulação cerebral profunda acontecem?

A estimulação elétrica age em circuitos cerebrais muito próximos uns dos outros. Ao tratar os circuitos do movimento, é possível que regiões vizinhas — responsáveis pela fala, pelo equilíbrio ou pelas emoções — também sejam afetadas. Além disso, durante o período de ajuste do aparelho, esses efeitos tendem a ser mais presentes. É por isso que o acompanhamento médico regular após a cirurgia é fundamental.

A DBS vale a pena, apesar dos efeitos colaterais?

Para a maioria dos pacientes com Parkinson ou Tremor Essencial que não respondem mais adequadamente aos medicamentos, a resposta é sim. De fato, uma revisão integrativa brasileira publicada no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences em 2026, baseada em 35 estudos, demonstrou eficácia de até 87% na redução do tremor no lado oposto ao eletrodo implantado — com perfil de segurança classificado como de risco aceitável e efeitos adversos leves ou ajustáveis por reprogramação.

Em conclusão, os efeitos colaterais da estimulação cerebral profunda existem, mas são manejáveis. O que transforma a DBS em uma experiência positiva não é apenas a cirurgia em si — é o acompanhamento especializado antes, durante e depois dela.

Tire suas dúvidas sobre a estimulação cerebral profunda com a Dra. Ingra

Cada caso é único. Portanto, se você tem Parkinson ou Tremor Essencial e quer entender se a DBS é uma opção para você, converse com a Dra. Ingra. Ela pode esclarecer suas dúvidas e orientar o caminho mais seguro para o seu tratamento.


Referências:
Tabari F et al. PLOS ONE, maio 2024. DOI: 10.1371/journal.pone.0302739
Martinez-Nunez AE et al. Frontiers in Human Neuroscience, fev. 2024. DOI: 10.3389/fnhum.2024.1353150
Al Ali J et al. Frontiers in Human Neuroscience, fev. 2024. DOI: 10.3389/fnhum.2024.1319520
Rocha Bezerra KS et al. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2026. DOI: 10.36557/2674-8169.2026v8n3p850-871
Mayo Clinic. Deep Brain Stimulation. https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/deep-brain-stimulation

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