Neuralgia ou Nevralgia do Trigêmeo? Neurocirurgiã Explica

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Neuralgia ou nevralgia do trigêmeo? Se você já pesquisou sobre essa condição, provavelmente encontrou os dois termos e ficou em dúvida sobre qual é o correto. Essa confusão é muito comum entre pacientes e familiares, e entender a diferença é o primeiro passo para buscar informação de qualidade sobre o assunto.

Neste artigo, eu, Dra. Ingra Souza, neurocirurgiã, esclareço essa dúvida de forma definitiva. Além disso, explico o que é essa condição, quais são os sintomas, as causas e as opções de tratamento disponíveis atualmente.

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O que significa neuralgia e nevralgia?

Para entender a diferença entre os dois termos, é preciso conhecer a origem de cada palavra. Ambas vêm do grego e significam a mesma coisa: dor no nervo.

A palavra “neuralgia” é formada por “neuron” (nervo) + “algos” (dor). Já “nevralgia” tem a mesma raiz, porém utiliza a forma “nevro” em vez de “neuro”. Essa variação acontece porque, ao longo do tempo, a língua portuguesa incorporou os dois prefixos — “neuro” e “nevro” — para se referir ao sistema nervoso.

Portanto, neuralgia e nevralgia são sinônimos. Os dicionários de referência da língua portuguesa, como o Priberam e o Dicio, registram ambas as formas como válidas e corretas.

Neuralgia ou nevralgia do trigêmeo: qual é o correto?

As duas formas estão corretas do ponto de vista gramatical. No entanto, na prática médica e na literatura científica, o termo mais utilizado é “neuralgia do trigêmeo”. Esse é o termo adotado pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), pela Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3) e pela maioria dos artigos científicos publicados em revistas médicas nacionais e internacionais.

A forma “nevralgia do trigêmeo” aparece com mais frequência no português europeu (de Portugal) e em textos mais antigos. No Brasil, o termo predominante na comunidade médica é “neuralgia do trigêmeo”, embora “nevralgia” também seja compreendido e aceito.

Na prática, ao pesquisar sobre neuralgia ou nevralgia do trigêmeo ou conversar com seu médico, você pode usar qualquer uma das duas formas sem erro. O mais importante é compreender a condição em si e buscar o tratamento adequado.

Afinal, o que é a neuralgia do trigêmeo?

Agora que você já sabe que neuralgia ou nevralgia do trigêmeo são o mesmo termo, vamos entender do que se trata essa condição.

A neuralgia do trigêmeo é uma condição neurológica que provoca episódios de dor extremamente intensa no rosto. Essa dor é frequentemente descrita pelos pacientes como choques elétricos, pontadas ou facadas na face, sendo considerada uma das dores mais intensas que o ser humano pode experimentar.

O nervo trigêmeo é o quinto par de nervos cranianos e o principal responsável pela sensibilidade da face. Ele se divide em três ramos: o oftálmico (que cobre a testa), o maxilar (que abrange a bochecha e o lábio superior) e o mandibular (que alcança o queixo e o lábio inferior). A dor da neuralgia do trigêmeo geralmente atinge um ou mais desses ramos, quase sempre em apenas um lado do rosto.

De acordo com dados da literatura médica, a condição afeta entre 4 e 13 pessoas a cada 100 mil por ano, sendo mais frequente em mulheres e em pessoas acima dos 50 anos de idade (Shankar Kikkeri & Nagalli, StatPearls/NCBI, 2024).

Para saber mais sobre essa condição, confira nosso artigo completo sobre dor no nervo trigêmeo: causas, sinais de alerta e tratamento.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas da neuralgia do trigêmeo são bastante característicos, o que facilita o diagnóstico clínico. Os mais comuns são: dor súbita e intensa no rosto, geralmente em apenas um lado; sensação de choque elétrico, pontada ou queimação que dura de poucos segundos a até dois minutos; crises que podem se repetir várias vezes ao dia; e dor desencadeada por atividades simples do cotidiano, como escovar os dentes, mastigar, falar, beber água ou até sentir uma brisa no rosto.

Muitas pessoas confundem a neuralgia do trigêmeo com dor de dente, o que pode levar a tratamentos odontológicos desnecessários antes de se chegar ao diagnóstico correto. Por isso, se você sente uma dor no rosto que aparece como choque e desaparece em segundos, é fundamental procurar avaliação neurológica ou neurocirúrgica.

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O que causa a neuralgia do trigêmeo?

Entender as causas da neuralgia ou nevralgia do trigêmeo é essencial para definir o melhor tratamento. A causa mais comum é a compressão do nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo, geralmente uma artéria, na região onde o nervo emerge do tronco encefálico. Essa compressão constante desgasta a bainha de mielina que protege o nervo, provocando um verdadeiro curto-circuito que gera os episódios de dor intensa.

Outras causas possíveis incluem esclerose múltipla, que provoca a desmielinização da raiz do nervo; tumores cerebrais que comprimem o nervo trigêmeo; e traumas ou lesões na região da face ou do crânio. Quando nenhuma causa é identificada, a condição é classificada como idiopática.

A neuralgia do trigêmeo é classificada pela ICHD-3 (Classificação Internacional de Cefaleias) em três categorias: clássica (causada por compressão neurovascular), secundária (associada a outra doença neurológica) e idiopática (sem causa identificável). Essa classificação é importante porque orienta a decisão sobre o tratamento mais adequado para cada paciente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é essencialmente clínico. O médico avalia as características da dor relatadas pelo paciente, como localização, duração, intensidade e os gatilhos que desencadeiam as crises. A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) destaca que a história detalhada do paciente é o elemento mais importante para o diagnóstico.

Exames de imagem, como a ressonância magnética do crânio, são solicitados para complementar a avaliação. A ressonância permite identificar se existe um vaso sanguíneo comprimindo o nervo (conflito neurovascular), além de descartar outras causas como tumores ou esclerose múltipla.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento da neuralgia do trigêmeo começa com medicamentos, sendo a carbamazepina o fármaco de primeira escolha. Essa medicação controla a dor em grande parte dos pacientes. A oxcarbazepina é uma alternativa com perfil de efeitos colaterais mais favorável. Outros medicamentos, como gabapentina, pregabalina e lamotrigina, podem ser utilizados como opções complementares.

Quando o tratamento medicamentoso não traz resultados satisfatórios ou causa efeitos colaterais importantes, o tratamento cirúrgico passa a ser considerado. As principais opções cirúrgicas incluem a descompressão microvascular, que é o tratamento padrão-ouro e consiste em afastar o vaso sanguíneo que comprime o nervo, proporcionando alívio duradouro; a rizotomia por radiofrequência, que utiliza calor para interromper a transmissão da dor; a compressão percutânea por balão, que causa uma lesão controlada no nervo para inibir os sinais dolorosos; e a radiocirurgia estereotáxica (Gamma Knife), uma opção não invasiva que utiliza radiação direcionada.

A escolha do procedimento depende de fatores como a idade do paciente, as condições clínicas, o tipo de neuralgia e a presença de conflito neurovascular nos exames de imagem. Entender como a saúde neurológica afeta sua qualidade de vida é fundamental para tomar uma decisão informada sobre o tratamento.

Quando procurar um neurocirurgião?

Se você recebeu o diagnóstico de neuralgia ou nevralgia do trigêmeo, a avaliação com um neurocirurgião pode ser o próximo passo. É recomendável procurar esse especialista quando a dor facial é intensa, recorrente e não melhora com analgésicos comuns. Além disso, a avaliação especializada é fundamental quando o tratamento medicamentoso perde o efeito com o tempo, quando os efeitos colaterais dos medicamentos comprometem a qualidade de vida ou quando se deseja avaliar a possibilidade de tratamento cirúrgico.

Se você não sabe ao certo quando buscar ajuda especializada, leia nosso artigo sobre quando procurar um neurocirurgião.

Tem dúvidas sobre neuralgia ou nevralgia do trigêmeo ou sente dores intensas no rosto? Agende sua consulta com a Dra. Ingra Souza e receba orientação especializada.

Referências

  • Shankar Kikkeri, N.; Nagalli, S. Trigeminal Neuralgia. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554486/
  • Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3). International Headache Society, 2018.
  • Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). Neuralgia do Trigêmeo. Disponível em: https://portalsbn.org/

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